Seminário nacional deu destaque à atuação das juventudes no fortalecimento do Programa Saúde na Escola
Na terça-feira (16/06) foi realizado o Seminário do Protagonismo Juvenil do ‘Fortalece PSE!’, que teve como objetivo principal integrar, valorizar e dar visibilidade à atuação das juventudes brasileiras na promoção do Programa Saúde na Escola (PSE). Com atividades presenciais e online, o evento reuniu cerca de 1,5 mil estudantes, gestores(as) estaduais e municipais do PSE, profissionais da saúde e da educação, representantes de organizações da sociedade civil e outros(as) parceiros do Programa.
Realizada de forma híbrida, a mesa de abertura contou com a participação de autoridades, representantes de movimentos estudantis, integrantes do ‘Fortalece PSE!’ e membros de conselhos, entidades e organizações das áreas da saúde e da educação. A cerimônia foi mediada pelas coordenadoras nacionais do PSE pelos Ministérios da Saúde (MS) e da Educação (MEC), Kátia Souto e Daiane Andrade, respectivamente.
Kátia Souto, que é também Coordenadora de Ações Intersetoriais na Atenção Primária à Saúde no MS, destacou a alegria de poder celebrar o protagonismo das juventudes brasileiras. “O Programa Saúde na Escola, nos seus 18 anos, reconhece a potência e a importância de adolescentes e jovens na construção dessa sociedade mais saudável, mais participativa”, ressaltou.
A importância da atuação de adolescentes e jovens no fortalecimento do exercício de direitos também foi pontuada pela coordenadora de Estratégia de Educação Básica do MEC. “É muito importante a gente dar voz para quem realmente faz as políticas juntando educação e saúde”, pontuou Daiane Andrade.
Ana Claudia Chaves, Coordenadora Geral de Saúde da Família e Comunidade do MS, foi uma das autoridades convidadas da mesa de abertura. Ela ressaltou que, na medida em que se constitui como um espaço de acolhimento, escuta e diálogo, a escola aproxima adolescentes e jovens dos serviços de saúde. “Construir vínculo e acompanhamento com a juventude, inclusive no território escolar, é responsabilidade de todas as equipes de Atenção Primária de nosso país”, defendeu. “É a partir dessa expansão, de compreensão do que é o território, de atuação da Atenção Primária, que a gente vai conseguir enfrentar a complexidade do que é ser jovem hoje nesse país”, complementou, ressaltando a importância do PSE no processo de articulação saúde-educação.
O papel da escola como espaço de acolhimento, diálogo, promoção de direitos e transformação social também foi destaque na fala de Roberta Pontes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Para a militante, o ambiente escolar promove muito mais do que aprendizado e socialização. “É também através da escola que a gente tem, por muitas das vezes, esse primeiro contato com a saúde”, destacou.
Roberta Pontes também ressaltou a importância dos grêmios estudantis na defesa da educação e na construção de políticas públicas. “São os nossos grêmios hoje, por exemplo, que organizam os seminários, as rodas de diálogos sobre saúde na escola, que para nós são tão caros!”, destacou, lembrando o papel dessas associações na criação de entidades do movimento estudantil, como a UBES.
A organização coletiva é fundamental na luta pelas pautas que motivam nossos(as) jovens, pautas essas que, como pontuado por Lucas Piaia, Secretário-Executivo do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), são comuns a um grupo marcado pela diversidade e pluralidade. Ao citar as experiências de protagonismo juvenil no CONJUVE, ele destacou que “ao mesmo tempo em que a juventude [que compõem o Conselho] é muito diversa – ela vem de diferentes lugares, de diferentes entidades, as entidades têm seus vieses e suas origens -, a gente tem conseguido desenvolver um sentimento muito grande de unidade na defesa das principais pautas da juventude e essa [a saúde], com certeza, é uma delas”.
Lucas Piaia também destacou a importância da articulação saúde-educação na construção e implementação de políticas públicas. “Quando a gente defende o sistema público de saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS), a gente defende também que ele seja implementado nas mais variadas facetas, na sua totalidade, atingindo os territórios diretamente. E as escolas são esse ponto conector da nossa juventude com o conhecimento, com o desenvolvimento, com o conjunto da sociedade”, argumentou.
A atuação coletiva no fortalecimento e na promoção de direitos também foi destacada por Natália Aredes, Pró-Reitora Adjunta de Pesquisa e Inovação da Universidade Federal de Goiás (UFG). “Saúde, educação, ciência e cidadania não se constroem sozinhas!”, defendeu, destacando que o PSE é exemplo da força da articulação entre diferentes órgãos, instâncias e agentes de transformação.
Adolescentes e jovens são agentes protagonistas nesse processo. Para Fernanda Magano, Presidenta do Conselho Nacional da Saúde (CNS), o engajamento das juventudes brasileiras tem sido fundamental em ações de prevenção de doenças e promoção da saúde. “A abordagem para discutir cultura de paz e enfrentar vulnerabilidades, todo esse processo que vai se fazendo para cuidar das medidas de saúde física, mas também de pensar a construção de um mundo onde a juventude é protagonista e é cidadã, vai fazendo um caminho necessário”, ressaltou. A convidada também mencionou o papel do PSE na defesa e na promoção destes e de outros direitos. “O Programa Saúde na Escola é um exemplo da amorosidade refletida na política pública!”.
Como pontuado pelo representante do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), Sérgio Marques, inserir os jovens nessas tomadas de decisão é fundamental, pois eles(as) conhecem as demandas de seus territórios. “É de suma importância todo esse trabalho [de formação] dos agentes promotores de saúde, ciência e cidadania nas escolas, para que nós tenhamos jovens capacitados, formados, sabedores dos seus direitos, dos seus deveres e que ajudem a construir e a cobrar a efetivação de políticas públicas em nosso país”, defendeu o conselheiro.
Fazendo coro com o representante do Conanda, a estudante Ana Luísa Costa, conselheira jovem do Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA) do UNICEF, também ressaltou a importância das juventudes estarem cientes de seus direitos. Num país extenso e com condições de vida desiguais como o Brasil, defendeu ser preciso compreender as diferentes realidades, engajar e promover informação e representatividade. “O jovem precisa falar, porque a gente está vivenciando a realidade, a gente é aquele que se incomoda, enxerga as coisas que ninguém mais está vendo”, ressaltou. “Enquanto vocês estão preocupados com os anseios que estão chegando, a gente está pensando no agora, a gente já quer mudar o agora!”, complementou, ressaltando a necessidade de criação de espaços de fala para os(as) jovens.
Também integrante de movimentos juvenis, a Secretária Adjunta da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), Cíntia Isla, falou da importância da inserção das juventudes nos debates e na construção de políticas públicas, destacando a atuação do PSE e do ‘Fortalece PSE!’ nesse processo. “Por mais que a gente saiba que são esses atores sociais [as juventudes] que são extremamente importantes para a construção da realidade que a gente quer, historicamente eles vêm sendo negligenciados”, destacou.
A cerimônia de abertura também contou com a participação de Mateus Menezes Quevedo, Coordenador-Geral de Juventude Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Ele trouxe à tona a questão da segurança alimentar e nutricional, uma das temáticas de saúde que orientam o PSE e um direito fundamental para a promoção e a proteção da saúde dos(as) escolares. “É muito importante a gente lutar, garantir políticas públicas cada vez mais fortes para a agricultura familiar, pra gente conseguir fazer uma transição dos sistemas alimentares que coloque a juventude como protagonista e coloque a alimentação das crianças e adolescentes nas escolas como algo estratégico”, defendeu, ressaltando a importância da alimentação saudável para o desenvolvimento físico e cognitivo de crianças e adolescentes.
A finalização das atividades de abertura foi feita pelo Coordenador-Geral do ‘Fortalece PSE!’ pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Márcio Florentino. O professor apresentou o projeto, trazendo informações sobre atividades realizadas e resultados alcançados desde sua implementação, em 2023. “O ‘Fortalece PSE!’ foi se constituindo, para além de um projeto, em um movimento – e hoje, também, pode-se dizer, quase que em uma campanha -, de defesa do SUS, da educação integral, de todas as agendas de políticas públicas e, principalmente, de mobilização da juventude para um protagonismo de ciência, cidadania e defesa do ambiente da escola”, celebrou o docente.
Protagonismo juvenil e transformação social
Em uma prévia das atividades previstas para a parte da tarde, após a mesa de abertura estudantes de todas as regiões do país compartilharam suas experiências na promoção da saúde, da ciência, da cultura e da cidadania em suas escolas.
No Norte, a jovem mobilizadora do ‘Fortalece PSE!’, Aisha da Silva, contou sobre experiências que teve nos territórios acreanos. Ela destacou o alcance do PSE e do ‘Fortalece PSE!’ em realidades difíceis e diversas, como em regiões amazônicas, periféricas e rurais. “É com o coração muito feliz que a gente traz esse trabalho que já acontecia no território, mas que, com o ‘Fortalece PSE!’, está tomando uma dimensão de mobilização das juventudes, da comunidade escolar e de todo o território”, ressaltou, introduzindo a apresentação de um vídeo sobre experiências de protagonimo juvenil no município de Feijó, no Acre.
Samuel Ramos, também mobilizador de juventudes do ‘Fortalece PSE!’, trouxe as experiências da região Centro-Oeste. Ele destacou a importância do protagonismo juvenil na construção de uma escola mais equânime e inclusiva. Na sequência, passou a fala para estudantes de uma escola de tempo integral de Goiânia (GO). O educando e a educanda convidados apresentaram resultados de trabalhos práticos desenvolvidos pela comunidade escolar no âmbito do Curso de Promoção de Saúde e Cidadania na Escola.
Direto de Itabuna (BA), o mobilizador Marcos Mawé representou a Região Nordeste. Ele passou a palavra a três alunas de um centro de educação básica e tecnológica, que apresentaram projetos desenvolvidos no estado. Educação ambiental, campanhas de combate ao bullying e ao assédio e atividades de incentivo à emissão do primeiro título de eleitor foram algumas das experiências compartilhadas. As estudantes apresentaram resultados dessas ações, destacando a importância da participação ativa e da representatividade na transformação social.
Também representando o Nordeste, Victor Costa, bolsista do Projeto Saúde-Escola pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), contou sobre as experiências da iniciativa no estado. Na sequência, foi apresentado um vídeo com o relato de um estudante de Campina Grande. O educando relatou experiências vividas por ele e por colegas da escola estadual em que estuda durante a realização do Curso de Promoção de Saúde e Cidadania na Escola. O testemunho evidenciou a importância do fortalecimento de laços entre a comunidade escolar, a comunidade local e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) na identificação de demandas e necessidades específicas de cada território. “A gente está plantando sementinhas para que estes jovens se tornem futuros líderes, saibam resolver as questões que tem nas próprias comunidades” pontuou Victor Costa, destacando a importância do PSE na promoção do protagonismo juvenil.
O giro pelo Brasil continuou na Região Sul, tendo como anfitriã Micaela Lis, jovem mobilizadora do ‘Fortalece PSE!’. Ela chamou a exibição de dois vídeos, produzidos por estudantes de uma escola municipal de Caxias do Sul. No material, os(as) educandos relataram algumas de suas experiências, como a realização de atividades de coleta de lixo (plogging), ações de combate à dengue e identificação de problemas (acessibilidade, higiene etc) e elaboração de propostas de solução para essas demandas. Como ressaltado por Mica ao final de um dos vídeos, “adentrar na escola pensando no protagonismo juvenil é uma das formas mais brilhantes de transformar a realidade de um território!”.
A viagem Brasil à fora terminou em Minas Gerais, onde o jovem mobilizador Emerson Alencar conversou, online, com o aluno de uma escola estadual da cidade de Guaranésia. O estudante contou como as atividades do PSE ajudaram a escola a alcançar melhorias e sobre ações que podem ser desenvolvidas pelos(as) educandos(as) para fortalecer a promoção da saúde e do bem-estar da comunidade escolar.
O compartilhamento de experiências de protagonismo juvenil também foi tema das atividades do turno da tarde. Em salas online, divididas por região, articuladores(as) pedagógicos, jovens mobilizadores(as) e bolsistas dos Projetos Saúde-Escola guiaram estudantes de todo Brasil na apresentação de relatos e atividades desenvolvidas em suas escolas. Representantes de Grupos de Trabalho Intersetoriais Estaduais (GTI-E) e Municipais(GTI-M) do PSE, de pastas e órgãos estaduais e municipais da saúde e da educação, de Instituições de Ensino Superior (IES) parceiras e de entidades que atuam junto ao Programa também se apresentaram.
O Projeto Horta Feliz, desenvolvido no Centro de Ensino Estado do Rio Grande do Norte, em São Luis (MA); a Caixinha Escuta com Carinho, implementada por estudantes da Escola Municipal Professora Nara Ney de Araújo Santana, de Boa Vista (RR); o Jornal Conexão Bem-Estar Sabino, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Sabino Ribeiro, em Aracaju (SE); a Oficina Titã, que promove saúde por meio de técnicas teatrais e educativas, em Gravataí (RS), e a Caixa do Sexo, que promove educação sexual e reprodutiva em escolas municipais de Vitória (ES), são apenas algumas das muitas experiências de promoção da saúde e do protagonismo juvenil desenvolvidas em escolas brasileiras.
A criação de ferramentas de engajamento e escuta ativa da comunidade escolar, o combate ao bullying, a realização de campanhas de vacinação, a promoção da saúde mental e a promoção da alimentação saudável também foram temas presentes nas experiências compartilhadas.
Assim como durante a manhã, as apresentações realizadas à tarde também contemplaram relatos sobre as atividades do Curso de Promoção de Saúde e Cidadania na Escola. Os(as) estudantes falaram sobre desafios na formação das Equipes de Aprendizagem Ativa (EAAs) e no planejamento de ações e atividades voltadas ao engajamento da comunidade escolar. Além disso, apresentaram resultados práticos alcançados a partir das propostas pedagógicas do curso.
Para além de ações específicas desenvolvidas no âmbito do Programa, as exposições também trouxeram em evidencia a importância do PSE no fortalecimento de projetos que já eram realizados nas escolas. Além disso, os compartilhamentos mostraram o papel central do Programa na promoção de atividades culturais, no fortalecimento da comunidade escolar, no incentivo à participação escolar, na inserção das comunidades locais nas ações – com consequente fortalecimento do exercício de direitos -, e no desenvolvimento de habilidades (cognitivas, políticas, comunicacionais, de trabalho em equipe, de liderança etc) pelos(as) educandos(as).
O evento também refletiu a representatividade e a pluralidade que marcam o Programa. Escolas indígenas, quilombolas e rurais compartilharam suas experiências, destacando ações e tomadas de decisão que levaram em consideração suas especificidades territoriais.
Terminadas as exposições, o público voltou à sala principal e cada região compartilhou com os presentes uma síntese das trocas realizadas em seus respectivos grupos. O encerramento foi feito por Kátia Souto (MS), Daiane Andrade (MEC) e Samia Abreu, Oficial de Saúde e Nutrição do UNICEF no Brasil. Elas pontuaram a diversidade das experiências compartilhadas, a importância do trabalho conjunto no fortalecimento das ações de saúde na escola e a necessidade de envolver as juventudes nessas e em outras iniciativas de promoção de direitos.
Como destacado no vídeo compartilhado pela Escola Estadual Couto Magalhães, de Campinápolis (MT), “aprender começa quando você é visto!”. E o ser visto passa pelo fortalecimento do protagonismo de crianças, adolescentes e jovens nas escolas. Para isso é preciso incentivar, engajar e oferecer espaços para que nossas juventudes possam apresentar suas demandas, participar da construção de políticas públicas e transformar suas realidades.




